domingo, 17 de outubro de 2010

A festa da taça

O Benfica qualificou-se este sábado para a 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, ao vencer em casa o Arouca, da II Liga, por 5-1. Foi uma partida em que o avançado brasileiro Alan Kardec apontou dois golos. Com as ausências de Maxi Pereira, David Luiz e Fábio Coentrão, o treinador Jorge Jesus apresentou três alterações no sector mais recuado, sendo que o principal destaque vai para a entrada de Airton para o lado direito da defesa.

Foi um início de jogo onde o Benfica esbarrou na estratégia defensiva do Arouca. Por isso, o primeiro lance de perigo aconteceu na cobrança de um canto de Pablo Aimar, ao qual Luisão surgiu a cabecear ao lado da baliza dos visitantes (14').

O golo do Benfica acabou por acontecer numa belíssima jogada de envolvimento. Salvio desmarcou Gaitán e este entrou na área do Arouca, onde cruzou para o cabeceamento certeiro do brasileiro Kardec (23’).

O segundo tento não demorou muito tempo a surgir no Estádio da Luz. Após um livre de Aimar do lado esquerdo, Airton apareceu nas alturas a cabecear ao poste, sendo que a bola sobrou depois para Saviola q
ue fez, facilmente, o 2-0 (31’).

Com dois golos sofridos, o Arouca começou a não estar tão coeso em termos defensivos e o Benfica intensificou ainda mais o seu domínio de jogo. Depois dos remates ameaçadores de Javi Garcia (35’) e César Peixoto (41’), o Benfica chegou ao terceiro golo por intermédio de Kardec. Após um canto de Gaitán, o brasileiro apareceu a cabecear com êxito à boca da baliza (44’).

Com um jogo muito importante na próxima quarta-feira frente ao Lyon, o Benfica optou e bem por gerir o esforço durante a segunda parte do encontro. O próprio treinador Jorge Jesus retirou os jogadores com mais minutos na presente temporada, de forma a equipa estar na máxima força no jogo da 3.ª jornada da Liga d
os Campeões.

Apesar das alterações, o Benfica continuou naturalmente a ser a equipa mais perigosa no terreno de jogo. Os “encarnados” marcaram mais dois golos, um por intermédio de um cabeceamento de Luisão (65’) e outro num remate de Gaitán (85’). O tento de honra dos visitantes foi apontado por Diogo aos 87 minutos.

Com cerca de 24 mil espectadores nas bancadas, o Benfica carimbou facilmente a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal.

O Benfica alinhou da seguinte forma: Júlio César; Airton, Luisão, Sidnei e César Peixoto; Javi Garcia (Luís Filipe, 45’), Aimar (Nuno Gomes, 68’), Gaitán e Salvio; Saviola (Weldon, 61’) e Kardec.

sábado, 16 de outubro de 2010

Três fatias de queijo para Walter, uma para Varela...


O F.C Porto goleou o modesto Limianos, naquele que foi o seu jogo de abertura para a Taça de Portugal. O jogo realizou-se no Estádio do Dragão e não obstante qualquer surpresa, a tendência natural (e veio a confirmar-se) seria uma vitória folgada do F.C Porto. Foram 4-1 mas poderiam ter sido muitos mais. De entre o destaque colectivo (que é de enaltecer, já que a equipa apesar de todas as mexidas mantêve-se em elevado plano), há naturalmente que particularizar a magnífica estreia da "Bigorna" (Walter) com a camisola do F.C Porto. Marcou três golos, dois dos quais com os pés (um de pé direito e outro de pé esquerdo) e um de cabeça. É um "matador", joga muito prático, cobre muitíssimo bem a bola e é um jogador capaz de "fazer jogar" os restantes companheiros. Prova disso é a sua abertura para Emídio Rafael (outra óptima exibição) no lance do golo de Varela.

Para além de Walter eu destacaria mais três jogadores. Um já aqui foi mencionado (Emídio Rafael, que mostrou disponibilidade física e qualidade técnica no apoio ao ataque) e os restantes são Sereno e James Rodriguez.

Sereno no ínicio da época terá sido o jogador que porventura não terá reunido total aprovação dos adeptos Portistas. Hoje, apesar do pouco trabalho a que foi sujeito, esteve a um bom nível e mais próximo daquilo que rendeu no Vitória de Guimarães.

Por fim e quanto a James Rodriguez, creio que é um "diamante por lapidar" (tal como Walter). Aquele pé esquerdo não engana ninguém e tendo em conta a sua idade (apenas tem 20 anos), resta-lhe alguma paciência e compreensão para ganhar um lugar na equipa. A sua exibição de hoje foi muitíssimo boa, mas efectivamente a concorrência é forte. Quase todos os extremos do F.C Porto (e descontando Mariano que está sem ritmo competitivo) estão preparados para jogar em qualquer dos eixos do ataque (direito ou esquerdo), pelo que Ukra, C.Rodriguez, Varela e Hulk não querem deixar fugir as suas oportunidades.

Mas de um modo geral nota elevadíssima para Emidio Rafael, James Rodriguez e Walter.

Uma última nota para a capacidade de circulação de bola e a posse da equipa durante os 90 minutos. O meio-campo "roda", os adversários mudam, mas na realidade o F.C Porto tem sempre mantido a fasquia acima dos 60% de posse de bola (hoje chegou a estar a quase 70%), o que atesta aqui a nova filosofia de um F.C Porto cada vez mais "mandão" dentro de campo.
Não queria terminar sem saudar a equipa do Limianos que disfrutou do jogo no Estádio do Dragão e abdicou da muito habitual táctica do "autocarro". Só com muita sorte uma equipa que joga com o "autocarro estacionado" à frente da sua baliza no Dragão consegue ter bons resultados, pelo que o Limianos perde mas de forma mais digna que certas equipas do nosso campeonato.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A tua pergunta André eu respondo


O ridículo és tu...

Cada vez mais me surpreende André Villas boas, o suposto sucessor de Mourinho é claramente o oposto do seu tutor numa coisa, é um pau mandado de Pinto da Costa.

O Sport Lisboa e Benfica reclamou e bem do jogo com o Guimarães que venha a primeira pessoa dizer que não foi prejudicado, a não ser que não tenha olhos na cara, a única coisa que o Benfica pediu foi isenção coisa que para os lados das antas é pedir muito nem conhecem essa palavra com certeza.

Logo ai ficou mandatado Villas Boas que no primeiro jogo que houve-se qualquer coisa tinha que vir fazer a choradeira, ora bem correu mal, correu mal... Mais uma vez digo correu mesmo mal, a choradeira correu tão mal que vimos presidente e treinador queixarem-se de um jogo em que foram pasme-se escandalosamente beneficiados, naquele jogo se fosse um arbitro honesto o porto ficava empatado aos 52 minutos e com menos um jogador e não aos 75 como foi e ainda com os mesmos jogadores visto que o jogador do Guimarães saiu lesionado.

Mas o ridículo não ficou por aqui, no comunicado disse que realmente não houve penalti mas que houve outros lances em que foi prejudicado nomeadamente supostas expulsões, e eu pergunto e o penalti também não viu? foi ilusão de óptica?

Por ultimo foi mais uma vez ridículo ao dizer que tinha feito meia culpa? não vi nenhuma meia culpa porque se a tivesse feito tinha dito "não houve penalti a nosso favor mas houve contra-nos" mas claro ser honesto nas antas é muito difícil.

Como o sr. André acha que o comunicado do Benfica é ridículo eu digo - pensa assim porque não sabe o porquê do comunicado... Como sabemos a comissão da arbitragem vai passar para a federação então, o FC Porto vai lá por o sr. dragão de ouro Paulo Costa, o Benfica não fez mais que uma jogada de bastidores para tentar impedir essa situação, mas como sabemos as jogadas de bastidores do FC Porto são de génio as do Benfica ridículas... e que tal por lá um tipo isento?

PS: a comissão jurídica da FPF que tantas alegrias deu ao FC Porto demitiu-se, isto é um sinal que vai para lá alguém pior e ainda mais azul, gostava de pensar diferente mas mas uma vez isenção no norte significa ridículo.




Desnorte...


Segundo notícia do jornal Record (fonte: http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=468402), o SL Benfica solicitou 2500 bilhetes para a deslocação ao Estádio do Dragão no próximo dia 7 de Novembro. Teóricamente esta seria uma notícia vulgar que nem mereceria à partida qualquer destaque em particular, no entanto e no seguimento do apelo (em carta, inclusive!) feito pelo sr.Luis Filipe Vieira para os seus adeptos/sócios não comparecerem aos jogos fora de casa, a notícia torna-se no mínimo...contraditória.

A ser verdade (e não há, até ao momento, nada que o desminta), creio que o sr.Luis Filipe Vieira deverá seguir os conselhos do "jovem" André Villas-Boas e "olhar para os seus botões" antes de atribuír rótulo de "rídiculo" a quem quer que seja.
Nunca me acreditei que esta medida fosse avante, assim como o hipotético abandono da Taça da Liga (aliás, Taça essa que ficou marcada por uma final de há duas épocas no mínimo...controversa). A aplicação destas medidas "fólcloricamente" anunciadas em comunicado iria trazer prejuízo no imediato ao clube e, naturalmente que o clube não quereria incorrer nesse tipo de prejuízo.

A propósito do "clássico" que se disputa daqui a sensivelmente meio mês, tenho lido bastantes notícias sobre a possível desistência ou não comparência da equipa da Luz na eventualidade de serem vítimas de qualquer tipo de acto de violência. Tenho desde já a dizer que sou contra todo e qualquer acto de violência seja contra que equipa for, no entanto esta tomada de posição do SL Benfica é um tanto ou quanto rídicula.

Pedir ajuda ao Ministério da Administração Interna não me parece mal, mas a suposta "ameaça" de não comparecer em jogo torna-se patética, partindo do pressuposto que alguns adeptos do clube em questão já foram protagonistas de actos tão ou mais violentos que os apedrejamentos e/ou lançamentos de bolas de golfe (que eu, volto a referir, sou totalmente contra).

Para recordar, no histórico dos confrontos SL Benfica - F.C Porto e SL Benfica - Sporting, já assistimos a um autocarro de adeptos do F.C Porto incendiado, já assistimos a um lamentável episódio onde Filipe Santos (hoquista do F.C Porto) ficou em coma após ser agredido por um adepto do SL Benfica, já assistimos a um apedrejamento ao carro do sr.Pinto da Costa (na época passada, quando este se dirigia com a restante comitiva para assistir a um jogo com o Estoril, a contar para a Taça da Liga), já assistimos a um indivíduo saltar para dentro das quatro linhas e "esganar" um fiscal-de-linha, já assistimos à lamentável morte de um adepto Sportinguista numa final da Taça por lançamento de um very-light e, por exemplo, já assistimos a um arremesso de pedras por parte de alguns adeptos do SL Benfica, num jogo de júniores que colocava frente a frente os rivais da segunda-circular.

Ora, quero com isto dizer que apesar dos adeptos do F.C Porto também se excederem e protagonizarem situações lamentáveis para quem gosta de futebol, os adeptos do clube que se diz lesado não são propriamente "virgens ofendidas". Partindo deste pressuposto e tendo em conta a notícia supracitada (referente aos 2500 bilhetes solicitados para o "clássico" que se aproxima), corroboro na totalidade com as recentes declarações de André Villas-Boas em resposta à acusação de Luis Filipe Vieira.

Aliás (e isto é regra geral), como é que é possível desanuviar o ambiente hóstil em determinados confrontos do futebol português, quando dirigentes de clubes (e não só!) atiram cada vez mais "achas para a fogueira"?

P.S Quando referi no último parágrafo o "não só", referia-me entre declarações mais a quente de treinadores e jogadores (de todos os clubes), às declarações de indivíduos com uma certa responsabilidade (no caso em particular, advogado e apresentador de um programa da grelha do canal Benfica TV) que manifestamente e sem reservas incitam à violência. Estes são os típicos indivíduos que "atiram a pedra e escondem a mão" e que me levam (não só a mim, como a quem está minimamente atento à realidade do futebol português) a caracterizar de rídiculo o comunicado e as constantes "ameaças" do SL Benfica que vêm sendo lançadas já na antecâmara do "clássico" de dia 7 de Novembro.

O link do vídeo abaixo colocado comprova-o, sobretudo a partir do minuto 10:20. Ver para crer:
- http://www.youtube.com/watch?v=V3AGHkkaNN8
Ainda estão 6 pontos em disputa antes do referido jogo (entre F.C Porto e SL Benfica) e eu espero, sinceramente, que o "clássico" decorra com naturalidade e sem qualquer tipo de actos de violência. Naturalmente que as declarações de dirigentes e as acusações mútuas em nada contribuem para desanuviar um ambiente que se vem tornando cada vez mais incomportável quando os dois "rivais" se encontram.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Afinal não era preciso nenhum "Special One" em part-time


Portugal, sob o comando de Paulo Bento, cumpriu com nota (quase) máxima o objectivo a que se tinha proposto. No Dragão, diante da Dinamarca, montou uma equipa que conseguiu ultrapassar com relativa facilidade o seu adversário e esta noite, na Islândia, manteve exactamente o mesmo modelo e a mesma equipa, tendo por sinal obtido o mesmo resultado.

Em dois jogos Ronaldo voltou aos golos e fez as "pazes" com os adeptos, desmistificou-se a posição de nº6 (já que Meireles foi e sempre deveria ter sido o "trinco" da selecção) e compôs-se uma dupla no meio-campo da selecção que se entende "às mil maravilhas" (Moutinho e C.Martins).

A renúncia à selecção de Simão Sabrosa, Paulo Ferreira e Miguel acabou por facilitar o trabalho a Paulo Bento, abrindo assim espaço a jogadores como Varela, João Pereira, Carlos Martins e tantos outros.

Creio que acima de tudo estas duas vitórias "naturais" vêm atestar novamente o rídiculo a que Gilberto Madaíl sujeitou Portugal assim que viajou a Madrid para tentar "resgatar" Mourinho em "part-time".

Mal de nós, Portugueses, se fosse necessário um treinador como Mourinho para ganhar a duas selecções como a Dinamarca e a Islândia.

Adiante, penso que as escolhas da selecção foram globalmente bem feitas (e isso tornou-se visível no rendimento da equipa nos dois jogos), pese embora haja duas situações que carecem de melhor solução e estabilidade. Falo precisamente das posições de guarda-redes e de ponta-de-lança. Se na África-do-Sul todos nós teríamos ficado com a convicção que Portugal tinha "ganho" um guarda-redes de "topo", o tempo fez questão de nos contrariar. Eduardo tem sido "desastroso" nos últimos jogos (hoje foi novamente mal batido), o que me leva a pensar que a "mudança de ares" do guardião ex-Sporting de Braga só lhe fez mal.

Por outro lado, na posição de ponta-de-lança, continuamos na mesma. Hugo Almeida não passa de um "pinheiro" (muito possivelmente seria o jogador idealizado por Paulo Sérgio para o actual Sporting C.P) e Postiga não passa de um jogador de "rodriguinhos". Nenhum deles tem faro pelo golo e ambos têm muito pouca mobilidade. A escolha de Paulo Bento passa pelo "menos mau" dos dois. Talvez seja este o grande "calcanhar d'aquiles" da selecção nacional.

Eu creio ainda que a selecção irá melhorar substancialmente quando Bosingwa recuperar. Acho João Pereira um lateral-direito excelente, mas Bosingwa e Fábio Coentrão podem dar um enorme balanceamento ofensivo à selecção.

Uma última referência para a selecção sub-23. Tive oportunidade de ver o jogo da equipa descrita como o "celeiro" da selecção "A" (por Agostinho Oliveira) e, efectivamente, há lá jogadores que a curto/médio prazo têm condições para jogar pela selecção A.

Em particular gostaria de destacar Vieirinha que está um excelente jogador. Portugal está muito bem servido na posição de extremo (direito e esquerdo) - e há que contar ainda com Quaresma - mas todo o bom jogador é bem-vindo.

Quanto ao jogo de hoje, nota alta para Ronaldo e Meireles. Além dos golos que fizeram, estiveram muito bem ao longo dos 90 minutos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Olha.. até gostei de ver a selecção jogar.

Reconheço que estava com expectativa em relação a Paulo Bento dai ter assistido a uma grande parte do jogo, sempre achei que a selecção iria melhorar, não porque Paulo Bento seja melhor ou pior que Carlos Queiroz mas sim porque para pior do que estava era impossível, empatar com Chipre em casa e perder com a Noruega uma equipa da terceira divisão mundial para não dizer ai mais baixo era impossível até para este Portugal que está a anos luz do que já foi.

No entanto Paulo Bento deve ter tido o mesmo pensamento que eu, outra coisa que não ganhar a Dinamarca em casa mesmo que fosse o primeiro jogo da fase de apuramento era um péssimo resultado até porque a Dinamarca vinha ao Dragão sem as principais estrelas.

Apostou e bem num meio campo mais criativo e numa dupla de centrais claramente melhor que a que tinha vindo a ser utilizada, no entanto neste ponto tenho que referir que Ricardo Carvalho vêm começando a sentir o penso dos anos, e não vejo nas equipas jovens nacionais centrais para o mesmo nível, talvez Carriço apenas e só porque tem jogado mas a anos luz de Ricardo Carvalho.

Na frente tivemos Nani em grande forma, o que levanta ainda mais a duvida porque de não ter jogado o Mundial, a suposta lesão tornou-se clara que foi inventada, talvez num livro de memorias alguém se lembre de revelar o que se passou.

Com Nani em grande forma faltou mais uma vez um ponta de lança matador, e um Ronaldo mais amigo dos seu colegas, foi interessante ver que quando teve oportunidade Nani deu o golo a Ronaldo mas do outro lado raramente foram as vezes que isso aconteceu, optando sempre por remates de longe que raramente trouxeram perigo a baliza contraria.

Foi um resultado esperado bem como uma vitória na Islândia, num grupo como o de Portugal, a não qualificação é inaceitável, é talvez olhando ao momento de forma até dos adversários o grupo mais fácil dos últimos anos.

PS: Espanta-me como Madail ainda possa pensar em recandidatar-se, neste pais já nada me surpreende.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Bento(s)" de mudança...


Assim que foi anunciado o novo seleccionador nacional, Paulo Bento, eu fui um dos adeptos que mais dúvidas coloquei quanto à sua escolha (e ainda coloco). No entanto, o ex-treinador do Sporting C.P não poderia ter tido melhor estreia ao serviço da selecção nacional.

Acima de tudo, Paulo Bento começou por "contrariar" aquele que seria um dos meus maiores receios enquanto adepto Português. Refiro-me à escolha de sistema de jogo, que se levasse em linha de conta o que havia adoptado enquanto treinador do Sporting C.P, iria privar Portugal daquele que é um dos seus sectores mais fortes - os extremos. Para estas posições temos nomes como Ronaldo, Nani, Varela e Ricardo Quaresma que por força das circunstâncias viriam o seu rendimento diminuir se eventualmente fossem colocados a actuar no famoso 4-4-2 losango.

Assim não foi e poder-se-á dizer que Paulo Bento montou muito bem a equipa.

Na posição de guarda-redes deu um voto de confiança a Eduardo (o erro que teve perante a Noruega custou a Portugal 3 pontos, no entanto se o guardião do Génova saísse da baliza, Paulo Bento estaria a "reeditar" casos semelhantes como os que teve com Stojkovic no Sporting C.P).

Mais à frente, na defesa, foi admirável a inteligência do treinador Português. Para além de apostar nos dois laterais Portugueses actualmente em melhor forma (sendo certo que para o lado direito e assim que Bosingwa estiver apto - o que ainda deve demorar - penso que será o dono do lugar), Paulo Bento apostou na dupla R.Carvalho - Pepe que já traz rotinas de jogarem juntos pelo Real Madrid. Aliás, há poucos dias com a selecção a seu comando e com pouco tempo para a preparar para estes confrontos internacionais, é sempre desejável que no seio da equipa existam pequenas "sociedades" que já trazem rotinas dos clubes onde jogam. Certamente o facto de ambos jogarem juntos no seu clube foi um factor determinante para a definição do eixo central da defesa.

Mais à frente, no meio-campo, creio que Paulo Bento voltou a ser inteligente na forma como o organizou. Além de ter colocado Meireles a nº6 (que é um médio com uma enorme capacidade de recuperação de bolas), juntou-lhe Moutinho (que a par de Nani terá sido o melhor em campo) e Carlos Martins (que, no Benfica, tem sido uma das unidades em foco).

O mais impressionante neste sector intermediário foi a forma perfeita com que Moutinho jogou. Correu, recuperou bolas, esteve exemplar no capítulo do passe e foi o "box-to-box" que a equipa precisava. É claramente um jogador em ascenção que ganhou o seu espaço de afirmação no F.C Porto (sim porque no Sporting o seu potencial não era exponenciado face à forma "anárquica" como aquele meio-campo funcionava), mas que nunca deveria ter sido preterido da convocatória de Queiroz no anterior Campeonato do Mundo.

Lá na frente de ataque creio que o trio inicial foi bem escolhido, sendo certo que o principal destaque vai para Nani (autor de dois golos "e meio"). Além dos golos de belo efeito que marcou, teve a frieza e classe suficiente para oferecer o terceiro tento a um esforçado Cristiano Ronaldo.

E por fim, para terminar esta crónica, falaria de Cristiano Ronaldo. Teve uma primeira-parte apagadíssima (aliás foi autor de apenas um remate que levava perigo à baliza dos Dinamarqueses), mas na segunda-parte esforçou-se (contra o costume, mas esforçou-se...). O golo acabou por ser um prémio depois de uma bola à trave, um livre perigoso e dois ou três remates de fora da área que levavam "selo de golo".

Convenhamos que (e isto agora numa perspectiva Portista) aquele estádio (o do Dragão, pois claro) é propício a grandes espectáculos, como tal, a selecção pura e simplesmente se deixou contagiar pelo ambiente que normalmente nele se vive.


Força Portugal, queremos mais frente à Islândia!